Texto por enquanto anônimo. Se alguém souber de quem é, informe.
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Pare e pense. Como você adquire um desejo?
Bem, primeiro imaginemos que você não tem um desejo: você o cria pela maneira como representa coisas para si. Por certo, muito disso é, em geral, inconsciente.
No entanto, para você entrar no estado de sentir um intenso desejo por algum tipo de comida, você tem de criar uma espécie específica de representação interior. Lembre-se, as coisas não acontecem simplesmente. Para cada efeito, há uma causa.
O desejo de meu irmão - ou fetiche, se preferir - era pelo Kentucky Fried Chicken. Ele passaria perto de uma lanchonete dessa rede, e isso logo acionaria a lembrança de quando tinha comido daquele frango. Ele imaginaria a sensação crocante em sua boca, e pensaria na quentura e na textura da comida enquanto descia pela sua garganta.
Bem, depois de poucos minutos disso, a salada estava mesmo fora de cogitação, e o frango frito dentro! Um dia, logo depois de eu ter descoberto como usar as submodalidades para criar mudanças, ele, por fim, pediu-me que o ajudasse a controlar essa necessidade, que estava sabotando sua dieta e metas de saúde.
Pedi-lhe que formasse uma representação interior de comer a especialidade da Kentucky Fried Chicken. Dali a pouco, estava salivando. Então, fiz com que ele descrevesse as submodalidades visual, auditiva, cinestésica e gustativa de sua representação interna, com detalhes.
A imagem estava acima, à direita. Tamanho normal, um filme, focado e colorido. Ele podia ouvir-se dizendo: “Hum, isto é tão bom...” enquanto comia. Ele adorava a sensação crocante e quente.
Fiz, então, com que representasse a comida que mais odiava, alguma coisa que o punha doente do estômago, só de pensar - cenouras. (Eu sabia disso antes porque cada vez que tomava suco de cenoura ele ficava enjoado.)
Fiz com que descrevesse com detalhes as submodalidades das cenouras. Ele não queria nem pensar nelas. Começou a sentir-se nauseado. Afirmou que as cenouras estavam embaixo e à esquerda.
Eram escuras, um pouco menores do que as reais, moldura parada e sensação fria.
Sua representação auditiva era: “Essas coisas são revoltantes.
Não quero ter de comê-Ias. Eu as detesto!”. Suas submodalidades cinestésicas e gustativas eram uma sensação de flacidez (em geral muito cozidas), morna, pastosa, gosto de estragado.
Disse-lhe que comesse algumas, mentalmente. Começou a se sentir realmente mal, dizendo que não podia. Perguntei: “Se tivesse, como seria senti-Ias descendo pela sua garganta?” Ele disse que estaria pronto para vomitar.
Tendo eliciado, com cuidado, as diferenças entre como ele representava o frango frito e as cenouras, perguntei-lhe se gostaria de trocar as sensações sobre os dois, a fim de apoiar sua alimentação de uma forma que produzisse resultados saudáveis.
Ele disse que estava certo, com o tom mais pessimista que ouvira em muitos dias.
Assim, fiz com que trocasse todas as submodalidades. Fiz com que tirasse a imagem da galinha e movesse-a para baixo e para o lado esquerdo. Imediatamente houve uma reação de náusea em seu rosto.
Fiz com que tornasse a imagem escura e menor do que o tamanho real, pondo-a numa moldura parada, dizendo para si mesmo: “Isso é repugnante. Não quero ter de comê-Ia. Odeio isso” , na tonalidade que antes usara para as cenouras. Fiz com que pegasse a galinha, mentalmente, sentisse como era flácida, provasse a gordura morna, com gosto de podre, pastosa, de dentro dela. Começou a ficar enjoado outra vez.
Disse-lhe que comesse um pedaço, e ele disse não. Por quê? Porque agora o pedaço de frango estava enviando a seu cérebro os mesmos sinais que as cenouras costumavam, então ele se sentia do mesmo jeito. Por fim, fiz com que mentalmente pegasse um pedaço de frango, e ele disse: “Penso que vou vomitar”.
Peguei então sua representação das cenouras e fiz o contrário. Fiz com que pusesse no alto, do lado direito, fizesse-as do tamanho normal, de cor brilhante, e dizesse para si: “Hum, isto é tão bom” , enquanto as comia, sentindo o calor, a textura crocante.
Agora, ele adora cenouras. Naquela noite, fomos jantar, e pela primeira vez na sua vida de adulto, pediu cenouras. Não só as apreciou, mas passamos pela lanchonete em questão para chegar lá. Desde então, ele tem mantido essa preferência na dieta.
Em cinco minutos, fui capaz de fazer algo similar com minha esposa, Becky. Fiz com que trocasse suas submodalidades de chocolate - rico, doce, cremoso - com as de uma comida que a fazia sentir-se enjoada - rastejantes, escorregadias, malcheirosas... Nunca mais tocou em chocolate...